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O Dogma e o Ateísmo

Calma, não tem nada a ver com religião. Achei o título apropriado para fazer uma analogia interessante – de pessoas que acreditam que a aplicação de metodologias, modelos, padronizações, e boas práticas é o caminho para o sucesso(o dogmático) e outras que não enxergam nenhum valor prático nisso e que essas coisas só atrapalham seu trabalho(o ateu).

Vamos começar falando sobre o “Ateu”. Ele é presente em todas as estruturas da empresa. É uma pessoa prática e ligada diretamente no resultado do SEU trabalho ou no trabalho de seus companheiros diretos ou sua equipe direta.

Antes de mais nada,  e antes de ser descrente, o “ateu” acredita que não acredita em nada, e isso é muito significativo. Isso não significa que os “ateus” são pessoas fechadas a novidades ou inovações na sua forma de trabalho ou mesmo a instrumentos corporativos, o que acontece é que em geral eles eles gastam muita da sua energia para combater ou resistir ao que eles acham pouco produtivo ou errado. E são pouco flexíveis quanto ao que eles acreditam. Não os leve a mal, se você pensar bem, isso tudo muito coerente não é mesmo?

Em outras palavras se você não conseguir explicar no papel como a ITIL, o COBIT, a ISOxxxx, as leis de trânsito ou qualquer conjunto de regras seja diretamente proveitoso ao seu trabalho direto(agregando algum valor) você terá resistência certa. Isso é especialmente difícil, pois esse tipo de profissional é extremamente competente e sempre se assegura que faz seu trabalho da melhor forma. Aqui está o grande desafio dos “middle managers” que tem o papel de não permitir que idéias diferentes da organização se disseminem*(e inclusive consequentemente que todos pensem uniformemente com as diretivas da empresa).

Em contra-partida, o “Dogmático” acredita que o único caminho para redenção é a aplicação de metodologias e boas práticas. Ele estuda isso, tira suas certificações, procura cases de sucesso, veste a camisa mesmo, até briga com quem fala que não funciona. (Mas uma vez, aqui existe um ponto de coerência. Aceitar que estas coisas como algo não-funcional significa que você jogou tempo e dinheiro no lixo e ninguém quer isso não é?)

O “Dogmático” enxerga valor nas boas práticas e em geral é bem relacionado na estrutura funcional da empresa. (Afinal de contas se ele não for, ele passa de chato para maluco!) Não obstante, em geral consegue algum apoio gerencial para a aplicação das metodologias – afinal de contas são boas práticas do mercado, ora bolas!

Existem alguns “pecados” que alguns “dogmáticos ” realizam com freqüência. O principal deles é deixar de lado o fator cultural da empresa, e tentar aplicar melhores práticas que as vezes não são aplicáveis, necessárias, ou que existe a necessidade de um fator intermediário para ser alcançado antes de sua aplicação plena. Infelizmente isso é bem freqüente e tem sido o motivo de alguns “rollbacks” na implementações de boas práticas nas empresas. O fator humano é um deles. Em algumas empresas públicas ou com o “espírito de empresas públicas”, muitas vezes é difícil mudar hábitos, e isso deve ser respeitado e levado em conta nos planejamentos, ou então, como diz nosso amigo Silvio Luiz, é “fechar o caixão e beijar a víuva” para seu projeto de implementação.

Então qual o melhor perfil? A resposta é muito simples, como tudo na vida os extremos em geral são prejudiciais, dessa forma uma atitude equilibrada e adaptável é a melhor opção.

Como gestor, é importante enxergar o valor das boas práticas e apoiá-las. Ao mesmo tempo, é importante assegurar sua aplicabilidade. Muitas das metodologias são genéricas(alguns devem ser utilizadas como “frameworks”) e precisam ser customizadas para sua realidade. NEM TUDO PRECISA SER APLICADO no primeiro momento e E NEM TUDO É APLICÁVEL. Em alguns lugares um nível intermediário de maturidade é necessário para usufruir os resultados desejados. E certamente em alguns lugares não vale apena sua aplicação (pelo menos plena), em especial quando regras duras e inflexíveis prejudiquem a produtividade de seus funcionários.

Resumindo, proteja a produtividade de seus funcionários mas procure mostrá-los o valor de algumas regras e controles.

Bons Projetos e Sucesso.

Leandro Santoro.

*A atribuição do papel dos “middle managers” é de autoria de Eric Raymond, numa palestra que ele realizou no FISL 6.

3 comments 16 Dezembro 2008

“Desnivelamento de Expectativas” – um grande vilão.

Um Namorado compra um presente caro, achando que vai agradar, contudo a namorada queria apenas ganhar um cartão com uma mensagem personalizada.

Um menino queria ganhar um novo jogo de vídeo game, e o pai leva ao cinema para ver um filme que ele não gosta.

Esse são alguns exemplos de “Desnivelamento de Expectativas”. Apesar de parecer banal, não se deixe enganar, expectativas desencontradas, são a razão de diversos problemas em relacionamentos, sejam interpessoais ou profissionais.

Para entender isso melhor, é importante explicar o que o termo significa. “Desnivelamento de Expectativas”, num relacionamento, acontece quando os envolvidos esperam coisas diferentes do outro. Isso pode ser bilateral ou unilateral, mas quando acontece, não é bom, e às vezes pode ser desastroso.

Para visualizar como isso pode ser desastroso, vejamos um exemplo, sob o ponto de vista de um acordo comercial.

Imagine que você contrate um pedreiro para construir uma casa. Você estipula um valor, mas não define muito bem como quer sua casa, só diz que quer uma casa azul com quintal e janelas. Não é preciso se esforçar muito para descobrir que alguém sairá com algum tipo de prejuízo. Se não se especificar o tamanho da casa, o número de quartos, a qualidade do material desejado, entre muitas outras coisas, os produtos finais podem ser BEM diferentes dos idealizados.

Isso acontece por que,se você não especificou direito, a casa que você imaginou certamente não é casa que o pedreiro imaginou. Talvez você tenha pensado no conforto, conveniência, e o aconchego que seu novo lar poderia lhe proporcionar, enquanto o pedreiro, por sua vez, tenha levado em conta variáveis como menor preço, menor tempo, ou menor esforço.

Situações como essa são comuns, especialmente em locais de trabalho. Já passou por situações em que seu chefe lhe pediu algo, e você fez seu melhor, e então, de repente, ele olha o trabalho e diz – “Não era bem isso que eu tinha em mente…”

Isso aconteceu por causa de uma falha no sistema de comunicação. Vamos lembrar como funciona esse tal sistema de comunicação?

Em primeiro lugar, para uma comunicação é necessário um emissor, um meio, e um receptor. Parece bastante simples, não é verdade? Contudo o perigo mora em banalizar isso, ou ter isso como algo automático – e de fato, não é.

O primeiro trabalho do emissor é codificar corretamente seus pensamentos, para que o receptor possa entendê-lo de forma correta. Depois ele envia essa informação por intermédio de um meio comum e, notem, ele se CERTIFICA, que o receptor recebeu a informação de forma correta. (Ainda existe outros elementos como o Ruído, por exemplo).

Que tal levar isso para a vida real? Vamos utilizar o exemplo anterior, o do seu chefe e você,

No exemplo anterior, o chefe era o emissor, a mensagem, foi passada verbalmente, e você era o receptor. Onde aconteceu o erro então? A menos que tenha acontecido um gesto de imperícia(para ser bem polido), aconteceu um erro de comunicação, ou seja o receptor não entendeu corretamente a mensagem. É isso? Quase . Uma vez que o emissor tem a responsabilidade de se certificar que receptor entendeu corretamente, podemos dizer que o Chefe deveria se certificar que você entendeu corretamente.

Como fazer isso? A melhor forma, é pedir que receptor repita a mensagem, e se certificar, por intermédio de perguntas, o que ele entendeu. Pode-se fazer perguntas como: “O que você pretende fazer, então?”, ou mesmo, “Entendeu, alguma dúvida?” ou coisas do tipo.

Naturalmente, isso não exime totalmente o receptor, ou você, de procurar refinar seu entendimento. Sim, o receptor tem uma parcela de responsabilidade também. Mas como fazer isso? Mais uma vez, por intermédio de perguntas como “Qual o objetivo/encaminhamento/contexto desse trabalho para que eu possa realizar o trabalho de forma mais específica?”, “Não consegui visualizar muito bem esse ponto, poderia completar meu entendimento?” ou mesmo “Existe alguma informação adicional que poderia completar meu entendimento, ou me auxiliar para realizar esse trabalho?” ou coisas do tipo.

É importante dizer que bons relacionamentos, são resultado de uma boa comunicação. Note que nem sempre é necessário um nivelamento de valores, mas sim de expectativas. Isso significa que nem sempre você precisa pensar como o próximo, mas entendê-lo. Conseguiu identificar por que é importante ter(e manter) as expectativas em comum nos seus relacionamentos?

No próximo post, explicarei como o “Desnivelamento de Expectativas” pode ser muito prejudicial no Gerenciamento de projetos, e como se livrar (ou atenuar) esse esse inconveniente.

Até a próxima.

Leandro Santoro

2 comments 02 Novembro 2008


 

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