“Desnivelamento de Expectativas” – um grande vilão.
02 Novembro 2008
Um Namorado compra um presente caro, achando que vai agradar, contudo a namorada queria apenas ganhar um cartão com uma mensagem personalizada.
Um menino queria ganhar um novo jogo de vídeo game, e o pai leva ao cinema para ver um filme que ele não gosta.
Esse são alguns exemplos de “Desnivelamento de Expectativas”. Apesar de parecer banal, não se deixe enganar, expectativas desencontradas, são a razão de diversos problemas em relacionamentos, sejam interpessoais ou profissionais.
Para entender isso melhor, é importante explicar o que o termo significa. “Desnivelamento de Expectativas”, num relacionamento, acontece quando os envolvidos esperam coisas diferentes do outro. Isso pode ser bilateral ou unilateral, mas quando acontece, não é bom, e às vezes pode ser desastroso.
Para visualizar como isso pode ser desastroso, vejamos um exemplo, sob o ponto de vista de um acordo comercial.
Imagine que você contrate um pedreiro para construir uma casa. Você estipula um valor, mas não define muito bem como quer sua casa, só diz que quer uma casa azul com quintal e janelas. Não é preciso se esforçar muito para descobrir que alguém sairá com algum tipo de prejuízo. Se não se especificar o tamanho da casa, o número de quartos, a qualidade do material desejado, entre muitas outras coisas, os produtos finais podem ser BEM diferentes dos idealizados.
Isso acontece por que,se você não especificou direito, a casa que você imaginou certamente não é casa que o pedreiro imaginou. Talvez você tenha pensado no conforto, conveniência, e o aconchego que seu novo lar poderia lhe proporcionar, enquanto o pedreiro, por sua vez, tenha levado em conta variáveis como menor preço, menor tempo, ou menor esforço.
Situações como essa são comuns, especialmente em locais de trabalho. Já passou por situações em que seu chefe lhe pediu algo, e você fez seu melhor, e então, de repente, ele olha o trabalho e diz – “Não era bem isso que eu tinha em mente…”
Isso aconteceu por causa de uma falha no sistema de comunicação. Vamos lembrar como funciona esse tal sistema de comunicação?
Em primeiro lugar, para uma comunicação é necessário um emissor, um meio, e um receptor. Parece bastante simples, não é verdade? Contudo o perigo mora em banalizar isso, ou ter isso como algo automático – e de fato, não é.
O primeiro trabalho do emissor é codificar corretamente seus pensamentos, para que o receptor possa entendê-lo de forma correta. Depois ele envia essa informação por intermédio de um meio comum e, notem, ele se CERTIFICA, que o receptor recebeu a informação de forma correta. (Ainda existe outros elementos como o Ruído, por exemplo).
Que tal levar isso para a vida real? Vamos utilizar o exemplo anterior, o do seu chefe e você,
No exemplo anterior, o chefe era o emissor, a mensagem, foi passada verbalmente, e você era o receptor. Onde aconteceu o erro então? A menos que tenha acontecido um gesto de imperícia(para ser bem polido), aconteceu um erro de comunicação, ou seja o receptor não entendeu corretamente a mensagem. É isso? Quase . Uma vez que o emissor tem a responsabilidade de se certificar que receptor entendeu corretamente, podemos dizer que o Chefe deveria se certificar que você entendeu corretamente.
Como fazer isso? A melhor forma, é pedir que receptor repita a mensagem, e se certificar, por intermédio de perguntas, o que ele entendeu. Pode-se fazer perguntas como: “O que você pretende fazer, então?”, ou mesmo, “Entendeu, alguma dúvida?” ou coisas do tipo.
Naturalmente, isso não exime totalmente o receptor, ou você, de procurar refinar seu entendimento. Sim, o receptor tem uma parcela de responsabilidade também. Mas como fazer isso? Mais uma vez, por intermédio de perguntas como “Qual o objetivo/encaminhamento/contexto desse trabalho para que eu possa realizar o trabalho de forma mais específica?”, “Não consegui visualizar muito bem esse ponto, poderia completar meu entendimento?” ou mesmo “Existe alguma informação adicional que poderia completar meu entendimento, ou me auxiliar para realizar esse trabalho?” ou coisas do tipo.
É importante dizer que bons relacionamentos, são resultado de uma boa comunicação. Note que nem sempre é necessário um nivelamento de valores, mas sim de expectativas. Isso significa que nem sempre você precisa pensar como o próximo, mas entendê-lo. Conseguiu identificar por que é importante ter(e manter) as expectativas em comum nos seus relacionamentos?
No próximo post, explicarei como o “Desnivelamento de Expectativas” pode ser muito prejudicial no Gerenciamento de projetos, e como se livrar (ou atenuar) esse esse inconveniente.
Até a próxima.
Leandro Santoro
Entry Filed under: Artigos, Gerencia de Projetos, LinkedIn. Tags: Artigos, Desnivelamento de Espectativas, Gerenciamento de Projetos, LinkedIn, Relacionamentos.
2 Comments Add your own
Leave a Comment
Some HTML allowed:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>
Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed

1.
karina | 07 Novembro 2008 at 7:07 pm
Gostei dessa expressão, vou passar a usá-la!

bjs
2. “Desnivelamento de Expectativas” - um grande vilão (Parte II) « whatever | 09 Novembro 2008 at 10:10 pm
[...] Novembro 2008 No último post eu falei um pouco sobre o perigo de se ter expectativas desencontradas em qualquer tipo de [...]